O que fazer na Tailândia: Meu Roteiro Completo de 14 Dias (de Bangcoc às Ilhas)
Se você quer descobrir o que fazer na Tailândia para montar uma viagem inesquecível, saiba que este é sem dúvidas o destino mais fascinante do Sudeste Asiático. Poucos países no mundo conseguem reunir uma diversidade tão impressionante: a efervescência urbana e os templos dourados de Bangcoc, a espiritualidade das montanhas e os santuários de elefantes em Chiang Mai, e as praias de água turquesa emolduradas por paredões de calcário no Mar de Andaman.
Quando planejei a minha primeira viagem para lá, percebi rapidamente que organizar a logística e a sequência das cidades era o ponto mais crítico. Percorrer o país de norte a sul exige um planejamento inteligente de tempo, transporte e orçamento para não perder horas valiosas em deslocamentos mal pensados.
Neste guia completo, compartilho o meu roteiro detalhado de 14 dias, dividido estrategicamente entre cultura, história, natureza e praias paradisíacas, além de todas as minhas dicas práticas sobre custos reais, melhor época para ir, documentos e como economizei em cada etapa da viagem.
Informações Práticas e Planejamento Antes de Ir
Antes de colocar os pés no avião, passei por alguns processos fundamentais de logística e burocracia que me pouparam muito tempo e dinheiro na chegada.
Documentação e Exigências de Entrada
- Visto: Nós, brasileiros, não precisamos de visto para viagens a turismo de até 90 dias na Tailândia.
- Passaporte: Precisa ter validade mínima de 6 meses a partir da data de entrada no país e pelo menos duas páginas em branco.
- Certificado Internacional de Vacinação (CIVP): A vacina contra a Febre Amarela é obrigatória para brasileiros. Tomei a minha vacina com antecedência e apresentei o certificado da Anvisa no balcão de controle sanitário (Health Control) antes de passar pela imigração no aeroporto.
Melhor Época para Viajar
O clima na Tailândia é dividido basicamente em três estações: a estação seca e amena, a estação quente e a estação das monções (chuvas).
- Novembro a Fevereiro (Melhor Época): Foi a época que escolhi para viajar. É a estação seca e ligeiramente mais fresca (embora ainda faça bastante calor). O céu fica limpo e o mar calmo, sendo a altíssima temporada no país.
- Março a Maio (Estação Quente): As temperaturas sobem drasticamente, ultrapassando os 38 °C em Bangcoc e no Norte. É a época ideal se você suporta bem o calor intenso.
- Junho a Outubro (Estação das Monções): Ocorre o período de chuvas intensas trazidas pelos ventos úmidos do oceano. Não significa que chove 24 horas por dia, mas sim tempestades fortes e diárias. A vantagem é encontrar preços de hospedagem até 50% mais baixos.
Resumo do Meu Orçamento: Quanto Custa Viajar para a Tailândia?
Embora a passagem aérea saindo do Brasil tenha sido o item mais caro do meu planejamento, o custo de vida dentro da Tailândia me surpreendeu positivamente por ser extremamente acessível. O Baht Tailandês (THB) é a moeda oficial local, e a conversão para o Real costuma ser muito favorável.
Abaixo está a planilha de gastos reais que estruturei para duas pessoas durante 14 dias no país (excluindo os voos intercontinentais do Brasil, que variam conforme a época do ano):
| Categoria de Gastos (14 dias para 2 pessoas) | Estilo Econômico / Mochileiro | Estilo Intermediário / Conforto | Estilo Luxo / Resorts |
| Hospedagem (13 noites) | R$ 1.300,00 | R$ 3.900,00 | R$ 12.000,00 |
| Alimentação (14 dias) | R$ 1.200,00 | R$ 2.800,00 | R$ 6.500,00 |
| Passeios, Entradas e Santuário | R$ 1.000,00 | R$ 2.400,00 | R$ 4.800,00 |
| Transporte Interno (Voos + Ferries) | R$ 1.100,00 | R$ 1.800,00 | R$ 3.200,00 |
| Custo Total Estimado (Casal) | R$ 4.600,00 | R$ 10.900,00 | R$ 26.500,00 |
Visão Geral do Meu Roteiro de 14 Dias
- Dias 1 a 4: Bangcoc (Templos, Mercados e Vida Noturna)
- Dias 5 a 8: Chiang Mai (Cultura do Norte, Santuário de Elefantes e Montanhas)
- Dias 9 a 12: Krabi e Railay Beach (Paredões de Calcário e Praias Continentais)
- Dias 13 a 14: Koh Phi Phi e Maya Bay (Paraíso das Ilhas Tailandesas)
Parte 1: Bangcoc — Tradição, Caos e Modernidade (Dias 1 ao 4)
A capital da Tailândia é uma das metrópoles mais vibrantes que já visitei. A cidade consegue mesclar arranha-céus ultramodernos com templos seculares à beira do rio Chao Phraya.
Dia 1: Chegada, Imigração e Reconhecimento da Cidade

Após o longo voo, desembarquei no Aeroporto Suvarnabhumi (BKK). Fiz o controle sanitário da Febre Amarela, passei pela imigração e peguei o comboio Airport Rail Link direto para o centro da cidade (custou menos de R$ 8,00 por pessoa).
- Tarde: Fiz o check-in na hospedagem e aproveitei para relaxar com uma tradicional Thai Massage em uma das casas de massagem locais (paguei cerca de R$ 35,00 por uma hora completa).
- Noite: Fui conhecer a lendária Khao San Road, a rua de mochileiros mais famosa da Ásia. O local é repleto de barracas de comida de rua (onde provei meu primeiro Pad Thai legítimo), bares iluminados por néon e uma atmosfera festiva contagiante.
Dia 2: Os Templos Imperdíveis e o Rio Chao Phraya
Dediquei a manhã seguinte para explorar os complexos religiosos mais importantes da cidade. Minha dica de ouro: Vista calças ou saias longas e cubra os ombros; o código de vestimenta nos templos é rigorosíssimo.
- Grand Palace (O Grande Palácio Real): Antiga residência dos reis tailandeses, o complexo impressiona pelos detalhes dourados. Dentro dele visitei o famoso Wat Phra Kaew, o Templo do Buda de Esmeralda. (Entrada: ~R$ 75,00).
- Wat Pho (Templo do Buda Reclinado): Localizado a poucos passos do Palácio Real, este templo abriga uma majestosa estátua folheada a ouro de 46 metros de comprimento. (Entrada: ~R$ 45,00).
- Wat Arun (Templo do Amanhecer): Peguei o ferry público que atravessa o rio Chao Phraya por apenas 5 THB (~R$ 0,80). O Wat Arun é incrível e me rendeu fotos espetaculares no pôr do sol.
Dia 3: Mercados Flutuantes e o Mercado do Trem
Reservei a manhã para visitar dois dos mercados mais exóticos e fotográficos da região. Para facilitar minha vida, contratei um motorista privado por aplicativo (Grab/Bolt).
- Maeklong Railway Market (Mercado do Trem): Este mercado fica montado exatamente em cima dos trilhos de uma ferrovia ativa. Presenciei os feirantes recolhendo as lonas e bancas em segundos para o trem passar a centímetros das mercadorias!
- Damnoen Saduak (Mercado Flutuante): Subi a bordo de um barco de madeira para navegar por canais estreitos repletos de vendedores flutuantes comercializando frutas e pratos feitos na hora.
- Noite: Jantei no famoso mercado noturno Jodd Fairs, saboreando frutos do mar e pratos de rua de altíssima qualidade.
Dia 4: Bate-Volta a Ayutthaya (A Antiga Capital)
Localizada a cerca de 80 km ao norte de Bangcoc, Ayutthaya foi a capital do Reino do Sião entre 1350 e 1767.
- O que vi: O Parque Histórico de Ayutthaya é Patrimônio Mundial da UNESCO. Visitei o Wat Mahathat (onde vi a famosa cabeça de estátua do Buda entrelaçada nas raízes de uma árvore) e as ruínas de Wat Chaiwatthanaram.
- Como fui: Peguei o trem comum na estação Krung Thep Aphiwat em Bangcoc (a viagem levou 1h20 e a passagem custou menos de R$ 5,00).
Parte 2: Chiang Mai — A Capital Cultural do Norte (Dias 5 ao 8)
Cercada por montanhas e com uma atmosfera muito mais tranquila que Bangcoc, Chiang Mai foi o meu refúgio cultural e espiritual na viagem.
Dia 5: Voo para o Norte e a Cidade Velha de Chiang Mai
Peguei um voo matutino de Bangcoc para Chiang Mai (duração de apenas 1h15 em companhia low-cost).
- Tarde: Explorei a Old City (Cidade Velha) a pé. Dentro da antiga muralha, visitei o Wat Chedi Luang (uma enorme estupa de pedra do século XIV) e o lindo Wat Phra Singh.
- Noite: Como era fim de semana, caminhei pela Sunday Walking Street, uma feira noturna gigante com artesanato local, música ao vivo e massagens ao ar livre.
Dia 6: Vivência Ética com Elefantes (Elephant Nature Park)
Interagir com os elefantes era um dos meus maiores sonhos de viagem, mas fiz questão de garantir uma experiência ética e consciente.
- Como escolhi: Recusei qualquer local que oferecesse cavalgadas, apresentações de circo ou o uso de correntes.
- A minha experiência: Escolhi o Elephant Nature Park, um centro de resgate e reabilitação legítimo. Pude caminhar ao lado dos animais resgatados, observá-los se banhando no rio e alimentá-los com frutas. Reservei com meses de antecedência pelo site oficial para garantir minha vaga.
Dia 7: Montanha Doi Suthep e Aula de Culinária
- Manhã: Subi a montanha para visitar o Wat Phra That Doi Suthep, o templo mais sagrado do norte. Encarei a escadaria de 306 degraus ladeada por serpentes Naga e fui recompensado com uma vista panorâmica inesquecível de Chiang Mai.
- Tarde: Fiz uma aula prática de culinária tailandesa. A experiência incluiu ida ao mercado local para escolher os ingredientes e o preparo de pratos como Tom Yum Goong, Pad Thai e Mango Sticky Rice.
Dia 8: Bate-Volta a Chiang Rai (O Templo Branco)
Aproveitei meu último dia no norte para fazer uma excursão de um dia até Chiang Rai (cerca de 3 horas de viagem).
- Wat Rong Khun (Templo Branco): Uma obra de arte surrealista fascinante, inteiramente branca e incrustada com espelhos.
- Wat Rong Suea Ten (Templo Azul): Um templo impressionante com interiores em azul vibrante e detalhes dourados.
- Baan Dam (A Casa Negra): Um complexo de estruturas escuras com coleções de arte exóticas que contrastam com o Templo Branco.
Parte 3: Krabi e Railay Beach — O Litoral das Falésias (Dias 9 ao 12)
Troquei as montanhas pelo mar turquesa pegando um voo direto de Chiang Mai para o Aeroporto de Krabi (KBV).
Dia 9: Chegada em Krabi e Travessia para Railay Beach
Ao desembarcar em Krabi, peguei uma van até a praia de Ao Nang e embarquei em um tradicional barco longtail de madeira até Railay Beach (uma península isolada por enormes paredões de calcário, acessível apenas pelo mar).
- Tarde: Relaxei na areia branca de Railay West, cercada por águas mornas e falésias gigantescas.
- Pôr do Sol: O pôr do sol em Railay West foi um dos momentos mais marcantes de toda a minha viagem, com os barcos balançando no mar sob a luz dourada.
Dia 10: O Tour das 4 Ilhas (Four Islands Tour)
Fechei um passeio de barco para explorar as ilhas mais próximas da costa de Krabi.
- Phra Nang Cave Beach: Uma praia paradisíaca que abriga uma caverna misteriosa à beira-mar.
- Tup Island e Mor Island: Duas ilhotas conectadas por um banco de areia fina onde pude caminhar no meio do oceano durante a maré baixa.
- Chicken Island: Famosa pela rocha de calcário em formato de cabeça de galinha, onde fiz um snorkeling excelente.
- Poda Island: Ilha de águas cristalinas perfeita para nadar e tirar fotos do famoso paredão solitário no mar.
Dia 11: Hong Islands — O Refúgio de Águas Turquesas
Fiz uma excursão até o arquipélago de Hong Islands. O ponto alto do dia foi navegar para dentro da Hong Lagoon, uma lagoa secreta cercada por penhascos onde o mar parece uma piscina natural sem ondas.
Na ilha principal, encarei os degraus até o Hong Islands 360° Viewpoint e contemplei uma vista panorâmica espetacular de todo o mar de Andaman.
Dia 12: Trilha até o Viewpoint de Railay e Lagoa Secreta
Para um dia de aventura em Railay, fiz uma caminhada intensa pela vegetação:
- Railay Viewpoint: Uma subida íngreme apoiada por cordas fixas que me deu uma vista incrível das duas baías de Railay (East e West) lado a lado.
- Princess Lagoon: Continuei a descida por dentro de uma cratera de montanha até alcançar uma lagoa verde-esmeralda escondida no meio das rochas.
Parte 4: Koh Phi Phi — O Paraíso do Mar de Andaman (Dias 13 e 14)
Encerrei minha jornada visitando a ilha mais famosa e desejada do país: Koh Phi Phi.
Dia 13: Ferry para Koh Phi Phi e o Famoso Viewpoint

Peguei um ferry saindo de Railay até o pier de Tonsai em Koh Phi Phi Don (a travessia levou cerca de 1h30).
- Tarde: Fiz o check-in e subi ao Phi Phi Viewpoint no final do dia. O mirante fica no ponto mais alto da ilha e oferece aquele cenário clássico das duas baías curvas (Tonsai e Loh Dalum).
- Noite: A praia de Loh Dalum fica super movimentada à noite, com shows de malabares com fogo e música na areia.
Dia 14: Maya Bay e Pileh Lagoon ao Amanhecer
Para fechar a viagem com chave de ouro, aluguei um barco longtail privativo às 06h00 da manhã para explorar Koh Phi Phi Leh. Chegar cedo foi a melhor decisão que tomei para aproveitar os lugares sem as multidões.
- Maya Bay: O cenário surreal do filme “A Praia”. A preservação do local é rigorosa (é proibido entrar na água para proteger a fauna marinha), mas caminhar na areia valeu cada segundo.
- Pileh Lagoon: Uma enseada espetacular cercada por paredões de rocha de mais de 100 metros. Saltei do barco e nadei na água turquesa mais transparente que já vi na vida.
- Viking Cave e Monkey Beach: Passei em frente à caverna dos ninhos de andorinha e fiz uma parada rápida na praia dos macacos.
Dicas de Ouro do Meu Bolso para Economizar e Evitar Furadas
- Usei os Aplicativos Certos de Transporte: Em Bangcoc, recusei táxis que não queriam ligar o taxímetro (meter). Usei exclusivamente os aplicativos Grab e Bolt, que funcionam perfeitamente e cobram preços fair.
- Fiquei Atento aos Golpes Locais: Quando um motorista de tuk-tuk me disse que o Grand Palace estava “fechado para uma cerimônia”, simplesmente agradeci e segui em frente. É o famoso golpe para te levar a lojas e alfaiatarias parceiras.
- Comprei um CHIP Local no Aeroporto: Ficar conectado com internet me salvou para consultar mapas e tradutores. Comprei um chip da operadora local assim que desembarquei.
- Aproveitei a Comida de Rua: A comida de rua tailandesa é deliciosa e segura. Sempre escolhi as bancas que tinham fila de moradores locais, garantindo comida fresca e bem preparada.
Se você está pesquisando destinos internacionais onde o Real rende bastante, recomendo conferir também o meu artigo sobre quanto custa viajar para Buenos Aires ou o meu guia completo sobre quanto custa viajar para Mendoza. E para quem quer equilibrar a viagem dos sonhos com cenários tropicais sem sair da América do Sul, vale a pena ver quanto custa viajar para Cartagena e San Andrés. Se a ideia for manter o orçamento enxuto pelo Brasil, não deixe de ler o meu post sobre os destinos baratos no Nordeste.
FAQ — Perguntas Frequentes Sobre o que Fazer na Tailândia
Quanto custa uma refeição média na Tailândia?
Pratos tradicionais de rua (como Pad Thai ou Green Curry) em bancas e mercados noturnos custavam para mim entre 80 a 150 THB (R$ 12,00 a R$ 22,00). Em restaurantes turísticos mais estruturados, gastava entre 300 a 600 THB (R$ 45,00 a R$ 90,00) por pessoa.
É seguro viajar para a Tailândia?
Sim, me senti extremamente seguro durante toda a viagem. Os índices de criminalidade violenta são baixos. Os principais cuidados devem ser com pertences em locais muito cheios e atenção no trânsito ao alugar scooters.
Qual moeda levei do Brasil?
Não levei Reais, pois a cotação lá é péssima. A minha estratégia foi levar Dólares em espécie para trocar em casas de câmbio locais (como a SuperRich) e usei cartões globais de débito (Wise/Nomad) para pagamentos e saques em caixas eletrônicos (ATMs).
Preciso de vacina específica?
Sim! O Certificado Internacional de Vacinação (CIVP) contra a Febre Amarela é obrigatório para brasileiros e foi exigido logo na minha chegada ao aeroporto.
É preciso falar inglês para se virar bem?
Um inglês básico foi super suficiente na minha rotina. Nos locais turísticos, todos se comunicam bem no idioma. Para momentos pontuais, usei aplicativos de tradução no celular.
Quantos dias são necessários para o básico?
Recomendo entre 10 e 14 dias. Esse foi o tempo perfeito para eu dividir minha viagem entre o dinamismo de Bangcoc, a cultura de Chiang Mai e o descanso nas ilhas do sul.
Vale a pena alugar scooter/moto nas ilhas?
Apenas se você tiver muita prática. O trânsito usa a mão inglesa e é o principal causador de imprevistos com turistas. Optei por usar barcos, remis e transportes locais para me locomover com segurança.
Conclusão: Minha Experiência Valeu a Pena?
Viajar para a Tailândia foi uma das experiências mais marcantes da minha vida. A combinação entre a hospitalidade do povo tailandês, a riqueza espiritual dos templos e as paisagens surreais das ilhas faz com que cada centavo investido valha a pena.
Seguindo este roteiro de 14 dias, você conseguirá equilibrar perfeitamente a imersão cultural, as aventuras na natureza e momentos inesquecíveis de descanso à beira-mar. Organize sua documentação, escolha a melhor época para viajar e prepare-se para uma jornada incrível!
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